Piccolo/Flautim


Conhecendo melhor o Piccolo

Por Marcos Kiehl

O Piccolo:

        Muitos alunos de flauta se surpreendem quando experimentam ou adquirem um piccolo pela primeira vez e constatam que, apesar de sua semelhança, não é possível tocá-lo exatamente da mesma maneira que uma flauta. Surgem então as dúvidas de como estudar, o que estudar, e até que ponto considerar o piccolo como se fosse uma pequena flauta.

        O primeiro passo para compreender melhor este instrumento é saber identificar os diferentes modelos de piccolos existentes no mercado e conhecer suas semelhanças e diferenças em relação à flauta. Estas diferenças podem ser maiores ou menores de acordo com o modelo do piccolo.

Os materiais:

        Ao contrário das flautas, os piccolos diferem muito entre si, tanto no material utilizado como no formato de seu corpo. Eles são confeccionados a partir de diferentes materiais, como resina plástica, metal, madeira, ou ainda uma combinação destes materiais (por exemplo: bocal de metal e corpo de resina ou madeira). A utilização de diferentes materiais tem grande influência no som, na qualidade e custo do instrumento.

        A resina plástica (em geral de coloração preta) é muito durável e resistente às variações climáticas, e foi desenvolvida com o intuito de “imitar” o som e a aparência da madeira, por um preço bem inferior. Os piccolos de resina podem ter bocais também de resina ou de metal. Os bocais de resina, assim como os de madeira, não possuem aquele porta-lábio como nas flautas, pois o material é mais espesso.

        O piccolo de metal (que pode ser de prata ou níquel prateado) é o que mais se assemelha à nossa flauta tradicional de metal. Possui bocal também de metal com porta-lábio e é geralmente cilíndrico como a flauta. Também é durável e resistente, mas produz um som mais brilhante e penetrante que a resina ou a madeira. Sua utilização é mais indicada para grandes conjuntos como bandas e fanfarras.

        Já o piccolo de madeira é sempre cônico e possui o som mais doce e flexível de todos, podendo também ser tocado de uma forma mais expressiva. A madeira mais utilizada hoje é a grenadilha, uma madeira africana muito resistente e semelhante ao ébano (que hoje não pode mais ser comercializado, pois está em extinção). O piccolo de madeira pode ser encontrado com bocal também de madeira ou de metal. Eles são geralmente os mais caros e os mais utilizados por profissionais em orquestras e outros conjuntos sinfônicos, pois além de seu som mais delicado, também permite maior fusão com os outros instrumentos do naipe das madeiras e das cordas.

        Entretanto, alguns cuidados precisam ser tomados para que variações de temperatura e umidade não lhe causem rachaduras, uma vez que a madeira é um material orgânico. Um piccolo novo deve ser “amaciado” tocando-se no máximo cerca de 30 minutos por dia, durante o primeiro mês. A umidade do sopro poderá causar uma dilatação da madeira de dentro para fora o que aumenta as chances de uma rachadura. Recomenda-se também a “hidratação” da madeira com óleos especiais pelo menos uma vez ao ano. O óleo preenche as fibras da madeira de forma homogênea (por dentro e por fora) e impede a penetração da água.
Este procedimento deve ser feito por um especialista.Leia mais...

Marcos Kiehl
Flautista, Professor FAAM/EMESP e Mestre Fluthier

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